Independente de Roma, igreja brasileira presente em Goiânia defende casamento de padres

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Independente de Roma, igreja brasileira presente em Goiânia defende casamento de padres
31-08-2025
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Entrevista aborda expansão da ICAB, costumes litúrgicos e a tradição do Menino Jesus de Praga em Goiânia

Fundada em 1954, em meio às tensões do pós-guerra, em uma ruptura ao vaticano e resposta a parte do clero que se considerava distante da Igreja Romana em relação à realidade do Brasil, a Igreja Catolica Apostólica Brasileira (ICAB) surgiu como uma igreja nacional e independente, marcada pela abertura pastoral e por quebras de costumes caros a Roma: o casamento de padres, que podem ter filhos como qualquer outra família, além da inclusão de casais em segunda união.

“A ICAB nasceu para abrir caminhos, aproximando a fé da vida concreta das pessoas. Enquanto Roma preservava barreiras, nós assumimos a missão de acolher as famílias brasileiras”, afirma Dom Luís Fernando Bertol, bispo da Diocese de Goiânia em entrevista ao Mais Goiás.

Padres casados e comunidade

Uma das diferenças mais emblemáticas é a liberdade concedida ao clero para o matrimônio. Na ICAB, padres e bispos podem se casar e formar família. Para Bertol, isso fortalece a vida pastoral. “O padre casado compartilha as mesmas responsabilidades de sustento, cuidado familiar e vida comunitária que qualquer fiel. Essa experiência enriquece o ministério e o torna mais humano”, diz.

O próprio bispo destaca que é casado há mais de duas décadas e tem dois filhos. “O sacerdote é um homem do povo, escolhido no meio do povo, para conduzir esse povo a Deus. Não há necessidade de criar uma distância artificial nessa vivência. Quando a família está junto ao altar, a comunidade percebe o valor dessa presença.”

A esposa e os filhos, de acordo com o bispo, passam a ser também referências dentro da comunidade. “Minha esposa tem papel ativo no diálogo com as mulheres da paróquia e isso fortalece o pastoreio”, exemplifica.

Casais em segunda união

Outro ponto que diferencia a ICAB é o acolhimento de casais em segunda união. Desde os anos 1940, Dom Carlos Duarte Costa já defendia o divórcio como remédio social, quando no Brasil só existia o desquite. Décadas depois, a posição tornou-se lei.

“Hoje, casais em segunda união podem se casar novamente na Igreja, mediante um processo de nulidade seguido de um novo matrimônio. Mais do que uma regra, isso é um testemunho de misericórdia e de novas oportunidades”, explica Bertol.

Na prática, a comunhão não é negada. “A Eucaristia é entendida como remédio espiritual. Por isso, mesmo casais que ainda não oficializaram religiosamente sua união participam livremente. O altar não pode ser espaço de exclusão”, completa.

Protagonismo feminino

Na ICAB, o bispo destaca que as mulheres exercem funções centrais no dia a dia das comunidades. Estão presentes na liturgia, na catequese, em conselhos pastorais e até na condução de celebrações quando não há padre residente.

“As mulheres sempre tiveram e continuam tendo papel fundamental na vida da Igreja. Elas são maioria em nossas comunidades e atuam em praticamente todos os espaços da vida eclesial”, afirma Dom Luís Fernando Bertol.

 

 

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