Advogado é preso suspeito de dar golpes nos próprios clientes

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Advogado é preso suspeito de dar golpes nos próprios clientes
09-07-2026
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Michel de Lacerda Bento é investigado por estelionato. Segundo apuração da TV Anhanguera, a polícia acredita que ele tenha feito cerca de 40 vítimas, cujos prejuízos, somados, podem chegar a R$ 700 mil.

Um advogado suspeito de dar golpes nos próprios clientes, em Catalão, no sudeste de Goiás, foi preso. Michel de Lacerda Bento é investigado por estelionato. De acordo com apuração da TV Anhanguera, a suspeita é que ele captava clientes prometendo reduzir valores de parcelas de financiamentos imobiliários. Os recursos, porém, eram retidos por ele.

A defesa de Michel não foi localizada até a última atualização desta reportagem. De acordo com o Cadastro Nacional de Advogados, da OAB, o registro profissional dele está suspenso. No dia 12 de maio, a OAB-GO disse que a suspensão foi adotada “diante da gravidade dos fatos apurados em procedimentos ético-disciplinares e da ampla repercussão social”.

Em entrevista à TV Anhanguera, uma das pessoas que afirmam terem sido vítimas do advogado detalhou as orientações que ele passava e o que acontecia em seguida. Adeildo Leite de Araújo disse que Michel lhe pedia que parasse de pagar as prestações, para forçar o loteamento a uma negociação. Ao mesmo tempo, pedia dinheiro para quitar algumas parcelas atrasadas.

“Ele ligava fora do horário, pedindo pix para pagar duas, três prestações que estavam mais atrasadas. A gente enviava o pix para ele. E nada foi pago”, disse Adeildo

Segundo a TV Anhanguera, a Polícia Civil acredita que ele tenha feito cerca de 40 vítimas, cujos prejuízos, somados, podem chegar a R$ 700 mil.

Em uma decisão de março deste ano, relacionada a um pedido de habeas corpus preventivo, a juíza Priscila Lopes da Silveira, da comarca de Anápolis, ao prestar esclarecimentos a um desembargador, afirmou que foi instaurada investigação criminal pela 4ª Promotoria de Justiça da Comarca de Catalão, para apurar a suposta prática dos crimes de estelionato e apropriação indébita.

“Segundo a portaria de instauração, o investigado, valendo-se de sua atuação profissional como advogado, teria induzido múltiplas vítimas a erro mediante promessa de redução de parcelas de loteamentos e obtenção de indenizações”, disse a juíza.

Adeildo Leite de Araújo, que alega ser uma das vítimas, disse que Michel lhe pedia que parasse de pagar as prestações do financiamento imobiliário — Foto: Reprodução/ TV Anhanguera

Adeildo Leite de Araújo, que alega ser uma das vítimas, disse que Michel lhe pedia que parasse de pagar as prestações do financiamento imobiliário — Foto: Reprodução/ TV Anhanguera

A magistrada afirmou, ainda, que há indícios de que Michel orientava as vítimas a interromperem o pagamento das parcelas dos imóveis, “o que teria contribuído para o agravamento das dívidas e gerado risco de perda dos bens”.

“Os elementos informativos indicam que ele solicitava pagamentos iniciais, geralmente entre R$ 2.050 e R$ 3.500, para a propositura de ações judiciais, bem como valores adicionais a título de custas processuais e supostos atos judiciais, sem a devida prestação de contas ou acompanhamento adequado das demandas”.

A Polícia Civil informou  que Michel foi preso na terça-feira (7), após ser localizado e abordado um veículo nas proximidades do bairro Mãe de Deus. Ele foi preso pelos policiais, em função do mandado de prisão preventiva que estava aberto. Michel também foi alvo de mandado de busca e apreensão domiciliar.

Dezenas de reclamações

Na mesma nota divulgada em maio, a OAB-GO disse que recebeu, nos últimos anos, “dezenas de reclamações” relacionadas à atuação do advogado.

“Os relatos apontam, em tese, situações como ausência de prestação de contas, retenção de valores, abandono de processos e ajuizamento de ações sem acompanhamento adequado”, disse a entidade, na ocasião.

Na decisão, a OAB destacou que a suspensão não representa condenação definitiva, “mas uma medida preventiva e excepcional voltada à preservação da dignidade da advocacia e da confiança da sociedade na atuação profissional da classe”

 

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