Segundo o IBGE, Goiânia concentra o maior número absoluto de comunidades urbanas do estado, mas Goiás tem o segundo menor percentual de moradores vivendo nessas áreas em todo o país.
Por muito tempo, existiu a ideia de que Goiás não tem favelas. Mas os dados mais recentes do Censo 2022, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que o estado tem, sim, comunidades classificadas como favelas ou ocupações urbanas, embora o número proporcional de moradores nessas áreas seja o 2º menor do Brasil.
De acordo com o levantamento, Goiás possui 152 favelas ou comunidades urbanas, onde vivem cerca de 94,5 mil pessoas. Desse total, Goiânia concentra 55 dessas áreas, o equivalente a 36,2% de todas as favelas do estado.
O superintendente do IBGE em Goiás, Edson Vieira, explica que o levantamento é essencial para jogar luz sobre problemas sociais que muitas vezes ficam invisíveis. Segundo ele, as favelas são caracterizadas pela insegurança jurídica da posse e pela falta ou precariedade de serviços públicos básicos, como iluminação, abastecimento de água, esgoto e coleta de lixo. “Quando essas condições se somam, o IBGE classifica a área como favela ou comunidade urbana”, detalhou.
Uma das entradas para o ‘Morro do macaco’ próxima a avenida Anhanguera, em Goiás — Foto: Addan Vieira/g1 Goiás
Onde estão as favelas em Goiás
Apesar de Goiânia concentrar o maior número absoluto de favelas e de moradores vivendo nessas regiões, o maior percentual em relação à população total não está na capital. Em Goiânia, cerca de 1,8% dos habitantes vivem em favelas, segundo dados oficiais. Já Novo Gama, no Entorno do Distrito Federal, lidera proporcionalmente, com 11,8% da população vivendo nessas áreas, o maior índice entre os municípios goianos.
Na comparação entre municípios goianos, os maiores percentuais estão na região do Entorno do Distrito Federal.
- Novo Gama: 11,8%
- Padre Bernardo: 7%
- Silvânia: 5,6%
- Goiânia: 1,8%
Segundo o IBGE, esses municípios crescem rapidamente e muitas vezes sem planejamento urbano, o que amplia o número de áreas irregulares e exige políticas públicas específicas.
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Como o IBGE identifica o que é uma favela
De acordo com o IBGE, a principal característica é a insegurança jurídica da posse, quando o morador vive em uma casa sem escritura, contrato ou registro oficial. Além disso, o IBGE considera outros sinais de precariedade, como a falta ou deficiência de serviços públicos essenciais, entre eles o abastecimento de água, o esgotamento sanitário, a coleta de lixo e a iluminação pública.
Esses fatores combinados ajudam o instituto a identificar as chamadas comunidades urbanas, que substituem a antiga nomenclatura “aglomerado subnormal”. A mudança, segundo o IBGE, reflete também a preferência dos próprios moradores, que se reconhecem mais no termo comunidade do que em expressões técnicas que traziam estigma.
Quebra-Caixote
O Quebra-Caixote é uma das comunidades reconhecidas pelo IBGE, sendo a maior em número de moradores da capital. No local famílias enfrentam problemas de infraestrutura, transporte e coleta de lixo e saneamento.
Em nota, a Prefeitura de Goiânia informou que realiza manutenções conforme pedidos no app Prefeitura 24h. O Consórcio Limpa Gyn disse que a coleta de lixo ocorre no Morro do Macaco três vezes por semana e diariamente no Quebra Caixote (Nota completa abaixo). Já os fios soltos são removidos pela Operação Cidade Segura. A reportagem procurou o Governo de Goiás, mas não recebeu posicionamento até a última atualização desta matéria.
Segundo moradores, as ruas estreitas e o escoamento precário dificultam a coleta de lixo. Em períodos de chuva, a enxurrada arrasta resíduos e lama pelas vielas, expondo os moradores a riscos de contaminação.
O jovem Daniel Santana de Souza, de 23 anos, mora na comunidade e trabalha no Setor Bueno. Durante a semana volta onze da noite e, nos fins de semana, chega quase meia-noite. De acordo com Daniel o ônibus que ele utiliza nos dias úteis não funciona aos fins de semana, o que o obriga a pegar duas conduções.
O morador ainda explicou que nos dias de chuva, o caminho se transforma em um desafio. A enxurrada invade as ruas, que vira lama, e as poças d’água se misturam ao lixo acumulado.
“Quando chove, é uma luta. A enxurrada desce forte, molha tudo e a gente precisa andar desviando de moto e carro. Às vezes a água vem alta, e o medo é de cair fio, poste ou tomar choque”, contou.
Outra moradora, Maria Edna Caldas Oliveira, de 57 anos, vive no Quebra-Caixote há mais de três décadas. Orgulhosa do que construiu, ela diz que continua enfrentando os mesmos desafios de anos atrás. O transporte público, segundo ela, é escasso e demorado, e os ônibus chegam a levar até duas horas para passar.
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