Justiça determina que PMs condenados por chacina em Cavalcante percam os cargos

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Justiça determina que PMs condenados por chacina em Cavalcante percam os cargos
30-01-2026
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Segundo a juíza, os sentenciados “não honraram a instituição a que pertencem. Crime aconteceu em 2022 e deixou quatro vítimas.

A justiça determinou que dois policiais militares condenados  após a morte de quatro homens durante uma ação policial  em Cavalante, região nordeste de Goiás, percam os cargos públicos. O pedido foi feito pelo Ministério Público de Goiás, a respeito de Aguimar Prado de Morais e Luís César Mascarenhas Rodrigues.

A  defesa de Aguimar, representada por Mildo Ferreira, informou que entrou com recurso e que a decisão não é definitiva até o desfecho do recurso pendente. A reportagem entrou em contato com a defesa de Luís César e com a Polícia Militar, mas não teve retorno até a última atualização desta reportagem.

O crime aconteceu em janeiro de 2022 e as vítimas foram executadas com 58 tiros, de acordo com a denúncia. Na decisão, a juíza Isabela Rebouças Maia acolheu os embargos do MP-GO e disse que a conduta dos sentenciados não é compatível com a permanência deles na função pública.

“Os sentenciados não honraram a instituição a que pertencem, pondo em risco a integridade da Administração Pública, demonstrando-se, assim, a necessidade da perda dos cargos públicos e funções públicas, […], uma vez que a conduta dos sentenciados é absolutamente incompatível com a permanência deles”, declarou.

 Na condenação, o sargento Aguimar Prado de Morais recebeu a pena de 13 anos e 9 meses de prisão em regime fechado por homicídio qualificado. O soldado Luís César Mascarenhas Rodrigues foi condenado a 6 anos de prisão em regime semiaberto, também por homicídio.

 

Propriedade onde ação da PM com quatro mortos aconteceu, em Cavalcante, Goiás — Foto: Polícia Civil/Divulgação

Propriedade onde ação da PM com quatro mortos aconteceu, em Cavalcante, Goiás — Foto: Polícia Civil/Divulgação

No julgamento, a sentença condenou dois policiais e absolveu cinco. De acordo com o juíz, Aguimar comandou a operação “sem planejamento, com informações distorcidas acerca das vítimas; resultando numa ação criminosa e morte das vítimas”.

Propriedade onde ação da PM com quatro mortos aconteceu, em Cavalcante, Goiás — Foto: Polícia Civil/Divulgação

A culpabilidade do soldado Luíz César foi considerada média, pois considerou que ele recebeu ordens de um superior. A absolvição dos outros cinco réus foi decidida por júri popular.

Veja abaixo os nomes dos absolvidos:

  • Mivaldo José Toledo
  • Jean Roberto Carneiro dos Santos
  • Ítallo Vinícius Rodrigues de Almeida
  • Welborney Kristiano Lopes dos Santos
  • Eustáquio Henrique do Nascimento

Chacina em Cavalcante

O crime aconteceu no dia 20 de janeiro de 2022. A Polícia Militar informou à Polícia Civil que uma equipe foi em uma ocorrência em propriedade rural por denúncia de que ali haveria uma plantação de maconha.

No registro da ocorrência, os PMs relataram que foram recebidos por tiros e tiveram que revidar. As vítimas foram:

  • Salviano Souza da Conceição, de 63 anos
  • Ozanir Batista da Silva, de 47 anos
  • Antônio da Cunha Fernandes, de 35 anos
  • Alan Pereira Soares, de 27 anos
Mortos em ação da PM, que teve quase 60 disparos por parte dos policiais, em Cavalcante, Goiás — Foto: Reprodução

Mortos em ação da PM, que teve quase 60 disparos por parte dos policiais, em Cavalcante, Goiás — Foto: Reprodução

Segundo o delegado que investigou o caso, Alex Rodrigues, os policiais disseram que encontraram 500 pés de maconha. Entretanto, parte da droga foi incinerada no local antes da chegada da Polícia Civil.

Sete policiais militares foram denunciados pelo Ministéri Publico, que afirmou que uma das vítimas foi atingida quando já estava no chão e que os policiais queimaram a vegetação para destruir a evidência de que não havia plantação de maconha do tamanho informado por eles.

Na época, entidades e movimentos sociais repudiaram a ação da PM e pediram justiça pela morte das vítimas. “Salviano, Chico Kalunga, Jacaré e Alan eram conhecidos por todos da comunidade e muitos possuem estórias para contar dos momentos vividos juntos. Não eram pessoas violentas, não andavam armados. Eram pacíficos”, relatou o documento.

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