Desta forma, o caso foi repassado para a Justiça Militar e os autos encaminhados ao Ministério Público
A Corregedoria do Corpo de Bombeiros Militar de Goiás (CBMGO) indiciou, recentemente, o soldado da corporação que atirou e matou o cachorro Brutus com um disparo de arma de fogo no estacionamento do Estádio Serra Dourada, em Goiânia, no último dia 5 de abril. Ele responderá pelo crime de maus-tratos a animais domésticos.
Desta forma, o caso foi repassado para a Justiça Militar e os autos encaminhados ao Ministério Público do Estado de Goiás (MPGO). Caberá ao órgão oferecer ou não a denúncia contra o militar. Ele também teve o porte de arma suspenso e foi afastado das atividades operacionais. Contudo, segue em funções administrativas.
“No que concerne ao episódio do militar envolvido na morte de um cachorro comunitário no estacionamento do Estádio Serra Dourada, o Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Goiás informa que o referido bombeiro militar foi indiciado, sendo os autos do processo remetidos ao Ministério Público do Estado de Goiás, que poderá oferecer denúncia ao Poder Judiciário, caso concorde com o teor da investigação”, informou a corporação em nota.

A reportagem também procurou o advogado do bombeiro, Eduardo Moura. Ele afirmou que “a defesa está confiante de que, apesar do indiciamento, restará comprovado que a conduta do militar se enquadra perfeitamente na excludente de ilicitude do estado de necessidade, diante da inexistência de qualquer outro meio eficaz para se defender da agressão que lhe era imposta”.
Bombeiro alega legítima defesa
Na época do ocorrido, o soldado afirmou à Polícia Civil (PC) que foi ferido na perna pelo animal, que estava acompanhado de outros cinco cachorros. O ataque teria ocorrido momentos antes do militar sacar a arma e realizar o disparo.
Ainda de acordo com o bombeiro, ele estava praticando exercícios físicos ao redor do Batalhão Especializado em Operações com Produtos Perigosos, no estacionamento do Estádio Serra Dourada, quando foi surpreendido pela matilha de seis cachorros, que avançaram sobre ele.
Conforme o relato, o animal de grande porte (com cerca de 60 centímetros de altura) mordeu a perna do bombeiro, que tentou afugentá-lo batendo o celular contra a cabeça do canino. Sem sucesso, ele sacou a arma e efetuou o disparo.
O investigado afirmou à PC, acompanhado de um tenente-coronel e um capitão da corporação, que disparou contra o animal a fim de assustá-lo, mas que acabou atingindo e matando o cachorro. O bombeiro disse ainda que precisou ser atendido por companheiros no quartel, sendo posteriormente encaminhado à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Novo Mundo.
No local, o soldado precisou receber anti-inflamatórios e antibióticos, além de vacina e soro. O animal, por outro lado, chegou a ser socorrido pela própria corporação, mas morreu no quartel.
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