‘Não há justificativa’, diz juíza sobre mãe de menino encontrado trancado em apartamento não ter deixado nem água para o filho

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‘Não há justificativa’, diz juíza sobre mãe de menino encontrado trancado em apartamento não ter deixado nem água para o filho
14-07-2026
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Defesa alegou que a restrição de acesso à cozinha ocorreu por compulsão alimentar. Menino chegou a ser internado na UTI após o resgate, com glicemia acima de 500, segundo o Conselho Tutelar.

A defesa da mãe do  menino de 1o anos encontrado detido dentro de um apartamento  em Goiâniaalegou durante uma audiência de custódia que ele tinha compulsão alimentar e, por isso, a mãe restringiu o acesso do filho à cozinha. No vídeo da audiência obtido com exclusividade pela TV Anhanguera, a juíza discorda da atitude e afirma que “não há justificativa”, já que o menino não tinha nem água para beber.

Os nomes dos pais não serão divulgados pela reportagem para preservar a identidade da criança, seguindo os princípios do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

O resgate aconteceu em um prédio no Setor Faiçalville na quinta-feira (9). Na audiência, o advogado da mulher, Danilo Rodrigues, alega que a mãe trancou a porta do quarto ao ir trabalhar porque o menino, que tem diabetes, não tem limites para comer e poderia piorar seu quadro clínico por isso.

“Se deixasse a porta aberta, pela impulsividade que ele tem alimentar, que também está diagnosticada, ele não tem limites para parar de comer. Talvez agravaria ainda mais a situação dele”, afirmou o advogado.  Entramos  em contato com a defesa da suspeita para pedir uma nota sobre o ocorrido, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.

A juíza responsável pela audiência não aceitou a justificativa e optou por mantar a prisão da mulher. Ela destacou que, se a intenção da mãe fosse impedir que o menino tivesse problemas com a compulsão alimentar, teria deixado ao menos água para ele beber.

“Caso ela não quisesse administrar alimentos ao mesmo, ela deveria, no mínimo, ter deixado água para a criança beber. Porque água não faz nenhum tipo de mal para diabetes. Então, há apresentada não tem argumentos. Não há argumentos, não há justificativa”, afirmou a magistrada.

A mãe responde por abandono de incapaz. A investigação da Polícia Civil também apura o crime de maus-tratos.

Internação e alta

Menino resgatado em apartamento segue internado na UTI

Após ser resgatado, o menino precisou ser internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Estadual da Criança e do Adolescente (Hecad). O conselheiro tutelar José Roberto Silva informou que a criança, que é diabética, estava debilitado e com a glicemia asima de 500

Após quatro dias internado, ele recebeu alta na tarde desta segunda-feira (13). Segundo José, a glicemia dele foi estabilizada durante a internação.

“Ele ficou em observação na UTI desde quando entrou no hospital por causa da taxa da glicose dele, que estava muito alta. A saúde dele está muito boa, já está até mais coradinho”, afirmou.

Do hospital, o menino foi levado pelo Conselho Tutelar para a casa da avó materna, que ficará responsável pelos cuidados da criança enquanto o caso é analisado pela Justiça.

Entenda o caso.

 

O menino foi resgatado do apartamento que estava det5ido em um quarto, sem água ou comida suficiente, usando uma garrafa pet para fazer suas necessidades. Um vídeo mostra o momento do resgate, em que o menino conversa com conselheiros tutelares pela janela e conta sua situação.

Na gravação, o menino conta que a mãe sai para trabalhar durante a noite e deixa ele trancado todos os dias. José também perguntou se a criança já havia almoçado naquele dia e o menino responde que havia comido “umas bolachinhas”.

A criança também pediu água para os conselheiros e usou uma sacola plástica amarrada a lençóis para pegar a garrafa pela janela.

Segundo a Polícia Militar, a mãe do menino disse que saiu durante a noite para trabalhar, deixando a criança trancada no quarto para impedir que tivesse acesso aos alimentos, alegando que o menino era diabético e, se comesse em excesso, poderia passar mal.

A vendedora Loiana Kelly Brito contou que chegou a presenciar a mãe batendo no menino e avisou que chamaria o Conselho Tutelar. Ela também destacou que ouviu o menino critando por socorro pela janela do apartamento várias vezes.

Carlos Eduardo Freitas, síndico do prédio, afirmou que a cena do menino detida  e interagindo com as outras crianças pela janela enquanto assistia a elas brincarem o comoveu.

“À tarde, as crianças saem pra brincar e ele fica interagindo com elas. É triste, machuca a gente”, lamentou.

O delegado Eduardo Carrara contou que a criança estava privada de alimentos e de local adequado para fazer necessidades fisiológicas. “Sem falar que tinham canetas de insulina, o que é muito perigoso para criança administrar sozinha”, disse o delegado.

Após ser resgatado, o menino afirmou: “Eu espero ter uma vida melhor”.

 

 

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