Os campeões políticos das redes sociais

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Os campeões políticos das redes sociais
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Pesquisa realizada em outubro e novembro nas redes sociais dos deputados, senadores e governadores revela os números da audiência de cada político. No Brasil, governadores Ronaldo Caiado, (DEM) João Doria (PSDB) e Wilson Witzel (PSC) são os líderes na análise de Twitter, Facebook e Instagram

O “Diário da Manhã” realizou análise de conteúdo das redes sociais de todos os deputados federais, estaduais, senadores e dos governadores do país tendo em vista compor o resultado do “RankingDM” das redes sociais. É a primeira avaliação completa realizada em Goiás com todas as principais contas dos políticos detentores de mandatos estaduais e federais.

Nesta primeira parte da pesquisa, divulga-se a audiência/seguidores – uma das métricas mais debatidas nas redes, na medida em que significa o tamanho do público que acompanha ações de agentes políticos.  O levantamento teve início em 22 de outubro e segue até 22 de dezembro, tendo como meta a avaliação da comunicação política realizada por meio das redes.

O uso destes novos canais de interação pelos personagens da esfera política transformou o cenário eleitoral e administrativo. É cada vez mais comum o agente dedicar seu tempo para comunicar com “seguidores” ou “amigos”, o que simboliza uma aproximação e também uma dedicação maior em conhecer os problemas da população.

Se de um lado existe a real possibilidade de aproximação entre o parlamentar, por exemplo, e o eleitor, não menos verdade é o fato de que o uso inadequado tende a criar um grave problema na imagem do político.  As recentes repercussões das manifestações do presidente Jair Bolsonaro no Twitter têm reacendido a preocupação com o uso das redes. Há uma semana, ele se desculpou por criticar instituições do país como o Supremo Tribunal Federal (STF).

A produção de pesquisas sobre redes e política saltou nos últimos anos,  tanto no campo instrumental da comunicação (marketing digital) quanto na análise crítica da comunicação através dos programas de mestrado e doutorado das universidades.

Os estudos sobre a política e redes sociais em Goiás têm início a partir de meados da década de 2000, tendo já algumas conclusões debatidas nos centros universitários de ciências sociais e principalmente comunicação.  No Brasil, a Bahia tornou-se ainda na década de 2000 a referência nos estudos das redes, ciberjornalismo e uso desta nova modalidade de comunicação política.

Em Goiás, por exemplo, as primeiras pesquisas desmitificaram a imagem criada na mídia de que o ex-governador Marconi Perillo (PSDB) dialogava com seguidores de forma habitual. Pesquisadores analisaram por vários meses o comportamento do então governador. “Foi notado, quando analisamos as respostas obtidas pelo questionário aplicado com seus seguidores, que muitos questionamentos ficaram sem respostas ou foram dotados de respostas insatisfatórias. Através dos sites TweetRank e TweetStast, percebemos que o governador possui um nível de interação muito baixa com seus seguidores. Essa interação está relacionada, segundo critérios dos sites, com a capacidade de responder aos seguidores”, diz a pesquisadora Eva Ostrosky Ribeiro, autora do mestrado “A comunicação pública como processo  para o exercício da cidadania a partir das mídias sociais: o caso do twitter Marconi Perillo”, defendido na Universidade Federal de Goiás (UFG).

Além do número de seguidores e da interação, outra preocupação cada vez mais comum é o ranqueamento dos agentes públicos, que desejam com isso transmitir popularidade ou seriedade. É uma das faces da moeda, já que o número de seguidores realmente mostra um poder maior de comunicação com a audiência. É, todavia, diferente das curtidas/likes (que serve para a análise de engajamento).

Conforme Ricardo Caldas, professor do Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB), uma das novidades da última campanha eleitoral foi a forma “pouco ortodoxa de propaganda política” que tornou-se evidente com a vitória de Jair Bolsonaro. Ele explica que o principal foco de comunicação deixa de ser a mídia televisiva para ser o contato “direto e interativo, por meio das mídias sociais”.

Bolsonaro conquistou milhares de seguidores graças ao ritmo de produção de conteúdo nas redes. No período eleitoral, diz Caldas, fizeram propaganda para o candidato.

A partir da análise de especialistas, analistas e pesquisadores, o DM inaugura avaliação dos políticos nas redes sociais através de critérios como audiência, engajamento/interação e comportamento dos agentes políticos principais de Goiás. Nesta primeira análise, como dito, leva-se em conta o que é mais discutido nas redes: a quantidade de pessoas que serve teoricamente de audiência para o político.

Apesar de ser um critério das mídias antigas, é ainda relevante a análise. Nossa equipe de especialistas convidados está atenta a truques, como a compra de “likes” em fazendas de seguidores, que criam curvas desiguais de seguidores na timeline.

Nesta primeira análise quantitativa, foi possível perceber diversas nuanças da avaliação.  A mais específica é de que existe um domínio, em Goiás, de poucas figuras nas redes. A grande maioria, por seu turno, apresenta  comunicação quase inexpressiva, menosprezado a nova forma de comunicação política.

Esta pesquisa valoriza três redes, conforme suas especificidades:  Twitter (a rede mais séria e utilizada por políticos quando dizem algo de impacto ou quando realmente interferem na realidade com ações), o Facebook (a grande rede, que tem o maior número de seguidores) e o Instagram (a aposta atual dos usuários, por conta de suas características exclusivas para uso em smartphones).

As métricas para análise variam conforme as redes – as mais utilizadas no momento são Facebook, Youtube, Instagram e Twitter. Mas é cada vez maior a preocupação com o Whats App, que no último ano tomou espaço das redes.

GRUPOS

Em estudo da Uniceub, com monitoramento de 140 grupos políticos de Whats App geolocalizados em Brasília, São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Goiás, Bahia, dentre outros estados, em 2018, em 15 dias, o presidente Jair Bolsonaro (então candidato) teve 10.230 citações (negativas e positivas), seguido por Lula (6980). Nos postulantes dos estados, o governador de São Paulo teve 2.309 citações contra 1320 de Caiado e Wilson Witzel, 1280.

O Ranking DM vai publicar nas próximas edições as primeiras pesquisas políticas realizadas a partir do Whatsapp, a ferramenta que promete ser a grande diferença das eleições de 2020.

O que pensam os especialistas

“A ausência de interação é o problema mais grave que se percebe em Goiás, já que o princípio geral da comunicação em redes é quebrado: a comunicação com duplo fluxo. Interação pressupõe diálogo, envolvimento simétrico entre interlocutores. No geral, percebe-se que quem domina as redes, na verdade, tem um enorme capital acumulado nas mídias tradicionais. ”
 Jackeline Gonçalves, mestre em Comunicação pela UFG 

“O que se observa em Goiás é a constância do governador Ronaldo Caiado na dianteira. Ele sempre teve expressão nas redes, pois trouxe toda experiência política para uma nova mídia. Como tem o atributo de falar para a militância, como o MBL, que o admira, consegue aumentar cada vez mais sua audiência. Outra característica é sua entonação nas redes. Caiado não faz brincadeira. É sério. Quando fala, todos escutam”.
Ulisses Aesse, jornalista especialista em marketing digital pela Faculdade Cambury

“As redes sociais ganharam destaque na pré-campanha e na campanha eleitoral de 2018. E os políticos perceberam que esse espaço de debate não pode mais ser ignorado, mas é preciso entender que o sucesso de uma boa comunicação nas redes sociais passa, necessariamente, pela interação. Um alto número de seguidores nem sempre vem acompanhado de uma boa interação. Analisando os dados da pesquisa vemos que o governador Ronaldo Caiado tem números expressivos no Twitter, uma rede que geralmente concentra como seus usuários os formadores de opinião”.
Lehninger Thiago Mota, cientista social/político pela Universidade Federal de Goiás (UFG)  

 

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