Coca-cola com açúcar da cana, como quer Trump, dependeria do Brasil e ficaria mais cara nos EUA?

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Coca-cola com açúcar da cana, como quer Trump, dependeria do Brasil e ficaria mais cara nos EUA?
17-07-2025
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País é o 2º maior fornecedor para o mercado americano e tarifaço poderia encarecer ainda mais a importação.

Trump quer mudar a receita da coca cola nos Estados Unidos, trocando o xarope de milho pelo açúcar da cana-de-açúcar como ingrediente.

A ideia chamou a atenção e analistas apontam que o refrigerante pode ficar mais caro por causa disso.

“Muito provavelmente (o açúcar de cana) virá do Brasil, mas Trump acaba de atingir o Brasil com uma tarifa de importação de 50%”, disse o analista Michael McDougall, especializado no produto, à Reuters.

Brasil é o maior produtor mundial de açúcar. O tarifaço de Trump, previsto para entrar em vigor em agosto, colocou em jogo produtos como o café, o suco de laranja e o hamburguer americanos, para os quais o Brasil também é um importante fornecedor de matérias-primas.

Entenda, abaixo, como é a relação entre o açúcar brasileiro e o país de Trump.

Brasil é 2º maior fornecedor de açúcar para os EUA

O Brasil é o segundo maior fornecedor desse produto para os americanos , depois do México, segundo dados da consultoria StoneX.

Os EUA podem importar até 146,6 mil toneladas de açúcar brasileiro sem imposto, por ano. O que fica acima está sujeito a uma taxa de quase 80%, atualmente.

“As indústrias de alimentos e bebidas começaram a usar o xarope de milho nos EUA no passado por causa dos custos. É mais barato do que o açúcar”, disse Ron Sterk, editor sênior da SOSland Publishing, um provedor de informações para o setor de ingredientes nos EUA.

Os EUA produzem cerca de 3,6 milhões de toneladas de açúcar de cana por ano, metade disso no estado natal de Trump, a Flórida, em comparação com cerca de 7,3 milhões de toneladas de xarope de milho, informou a Reuters.

As contínuas guerras comerciais de Trump, no entanto, dificultariam a cobertura do déficit, disse o analista de açúcar Michael McDougall. Os especialistas também apontam que os custos aumentariam com a troca dos adoçantes, incluindo gastos com mudanças nos rótulos.

O setor do açúcar ainda calcula como vai ficar a tarifa com a decisão de Trump de sobretaxar todos os produtos importados do Brasil em 50%, a partir de agosto.

“O acréscimo tornará o açúcar significativamente mais caro para os importadores e consumidores americanos”, afirmou ao g1 o analista Carlos Cogo, da Cogo Inteligência em Agronegócios, na última sexta-feira (11), dois dias após Trump anunciar o tarifaço.

O analista destacou que, no mercado americano, o tarifaço “prejudica a competitividade do açúcar brasileiro frente a outros fornecedores, como México, Guatemala, União Europeia e Tailândia, que poderão ampliar sua participação”.

Mas os EUA não são o maior cliente do açúcar brasileiro

Os EUA são destino de apenas 2,52% das vendas de açúcar de cana do Brasil. Os principais mercados são a China, a Indonésia e a Índia, apontam dados da Única, a associação dos produtores (veja o ranking ao fim da reportagem).

Cada um desses três países que lideram as importações comprou o triplo do que os EUA, em 2024.

“O Brasil pode direcionar as exportações para a China, para a Indonésia, que também é uma grande importadora. Além dos países do Oriente Médio, principalmente os Emirados Árabes, que compram [o açúcar em bruto] para refinar e reexportar para regiões próximas”, disse Marcelo Di Bonifacio Filho, analista da StoneX Brasil, também na última quinta-feira.

Outros mercados importantes são os países da Norte da África, como a Argélia, que é a quarta maior compradora do Brasil, depois da China, Indonésia e Índia.

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 Exportações de açúcar do Brasil. — Foto: g1
 Raio X da exportação — Foto: arte g1
Raio X da exportação — Foto: arte g1
Raio X da exportação — Foto: arte g1
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