A máquina tucana assediou seus aliados, cooptou alguns deles, mas Ronaldo Caiado jamais deixou de ser líder e de ter um grupo político.

Mesmo sob cerco do governo de Marconi Perillo (chegou a tentar impedir a candidatura de Vilmar Rocha para não ajudar o correligionário ser eleito; prevaleceu a lealdade partidária de Rocha), Ronaldo Caiado foi eleito deputado federal várias vezes.

Em 2014, mesmo contra uma máquina poderosa (dirigida por Marconi Perillo), Ronaldo Caiado foi eleito senador. Alinhou-se com Iris Rezende e derrotou o marconismo.

Em 2018, na oposição, liderando seu grupo político com mestria — e sem o apoio do MDB —, derrotou a máquina de Marconi Perillo no primeiro turno.

Em 2022, Ronaldo Caiado, mais uma vez, agora aliado ao MDB, venceu a reeleição no primeiro turno. O PSDB de Marconi Perillo nem mesmo lançou candidato a governador.

Candidato a senador, Marconi Perillo ficou em segundo lugar, perdendo para Wilder Morais, do PL. Perdeu para um neófito. Já havia sido derrotado em 2018 por Vanderlan Cardoso, do PSD, e Jorge Kajuru, hoje no PSB.

Mesmo com duas derrotas consecutivas, Marconi Perillo não fez autocrítica. Não dá um passo pela renovação do PSDB.

Então, fora do poder, Marconi Perillo parece que não consegue ser líder.

Há outro problema que parece não perceber. Marconi Perillo não abre espaço para a renovação no PSDB. Só ele disputa o governo. Este ano será sua quinta disputa. O líder que não abre espaço para os liderados se fortalecerem acabam sem ter quem os defenda.

Marconi Perillo forma seguidores, obedientes, sem autocrítica, mas não líderes. O resultado é que não tem quem faça sua defesa de maneira articulada e inteligente. Há quem o defenda atacando seus adversários. Não mais do que isto. (E.F.B.)