Ex-presidente Fernando Henrique Cardoso completa 90 anos nesta sexta-feira

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Ex-presidente Fernando Henrique Cardoso completa 90 anos nesta sexta-feira
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Único presidente desde a redemocratização a transmitir a faixa a um opositor, FHC falou à CBN sobre momentos marcantes do governo, erros cometidos e legados. E se definiu como alguém ‘mais intelectual do que político

O destino político de Fernando Henrique Cardoso começou a ser desenhado ainda no Brasil Império.

A linhagem política dos Cardoso foi uma das mais tradicionais da política brasileira e teve início com o bisavô de FHC, político durante a Monarquia. Os descendentes tiveram cargos em diferentes governos republicanos, incluindo a era Getúlio Vargas.

O filho do então deputado federal Leônidas Cardoso nasceu no Rio de Janeiro em 1931, e se mudou para São Paulo ainda pequeno.

Na capital paulista, FHC cresceu nas ruas do bairro de Perdizes, estudou em colégios tradicionais e se formou em Sociologia pela USP.

O professor, que tinha publicações sobre socialismo e comunismo, foi exilado após o golpe militar de 1964. Morou no Chile e na França.

De volta ao Brasil, foi aposentado compulsoriamente do cargo de professor da USP, com o Ato Institucional número 5, de 1969.

A sina política não escapou de FHC, que em meio às lutas contra o regime militar, chegou ao Senado em 1983, pelo MDB. Foi um dos relatores da Constituinte em 1988 e ajudou a fundar o PSDB.

Fernando Henrique lembrou os primeiros anos de Congresso:

“Cheguei lá era meio estranho, o pessoal achava que eu era um intelectual. Mas eu sou simples. Esse negócio de vaidade, quem fala é quem não me conhece. Não sou metido a besta.Eu acho que eu fui mais intelectual do que político. É difícil separar, eu vim de uma família de políticos, meu pai foi deputado, foi general, meu avô era Marechal. Era normal que eu participasse ativamente, e com o regime ditatorial no Brasil eu lutava pela democracia. ”

Com o impeachment de Fernando Collor, foi nomeado por Itamar Franco para o Ministério das Relações Exteriores. Pouco tempo depois, assumiu o Ministério da Fazenda num ano em que a inflação chegou a 2500%.

Uma nomeação que, como recorda FHC, aconteceu de maneira abrupta. Responsável pela economia do país, foi um dos idealizadores do Plano Real. E reuniu uma equipe de economistas com a missão de encerrar um ciclo de décadas de inflação:

“Eu estava nos Estados Unidos. Minha mulher ficou zangada, me telefonou irritada, porque eu tinha eu tinha aceito ser ministro da Fazenda. Então, eu disse que não aceitei nada, eu fui nomeado ministro e vim pro Brasil. No avião, eu im pensando: ‘o que eu vou fazer, vim conversando com o embaixador’. Cheguei aqui e falei: ‘o Brasil tem três grandes problemas, o primeiro é a inflação, o segundo é inflação e o é terceiro inflação’. A primeira coisa que eu fiz foi juntar gente jovem comigo”

A inflação que chegou a 2500%, baixou para 5% em 1995.

O sucesso do Plano Real levou à eleição em primeiro turno de FHC em 1994, com 53% dos votos. O adversário principal era o então sindicalista Luiz Inácio Lula da Silva.

FHC não nega as alianças que precisou fazer na época, com os antigos defensores da ditadura, membros do então PFL.

Ele diz que nunca deixou de ser um social democrata, mas precisava de apoio político para governar:

“Eu precisava ter maioria no Congresso, isso é fundamental. Meu partido, o PSDB, não era grande o suficiente e o PMDB era muito disperso. O PFL se propôs a me apoiar.

O mais difícil era com a esquerda e meu partido, que chamavam o PFL de besta fera, era o demônio, e não era bem assim, o PFL tinha interesse em acabar com a inflação. Ninguém governa sem aliança. Pode governar, se for ditadura. Quando você não impõe a regra, tem que atender os interesses diversos”.

O governo FHC ficou conhecido por um período de abertura de capital e privatizações.

O ex-presidente diz que não se arrepende de abrir mão da formação estatizante e afirma que o país precisava de dinheiro:

“Cada vez que tinha uma privatização, era uma confusão. Nós éramos de formação estatizante. Mas fomos mudando, fomos entendendo que era preciso privatizar para poder avançar, para poder fazer investimentos. Sem investimentos. não há crescimento”

Na metade de 2001, FHC enfrentaria o que foi a maior crise do governo dele, que custou a perda de prestígio e popularidade.

O apagão obrigou os brasileiros a pagarem mais caro pela energia elétrica e a cortar o consumo em pelo menos 20% ao mês. Quem não seguisse as regras, tinha a luz cortada.

O ex-presidente admite que esse foi o pior momento político para ele:

“Foi um momento muito difícil, você imagina dar uma ordem para que as luzes comecem a se apagar em Brasília. É violento. Custou muito. Custou um certo desprestígio, que eu acho que consegui recuperar. Mas sempre fiz com espírito público”

O ex-presidente também não escapou de acusações de corrupção que respingaram sobre ele, incluindo a compra de votos na PEC da reeleição e doações de campanha da Odebrecht para o PSDB na modalidade caixa 2.

Ele nega todas as acusações e diz que se houve crime, não chegou ao conhecimento dele.

Ao fim dos dois mandatos deixou como herança: o fim da hiperinflação, pobreza reduzida com o início de programas de distribuição de renda, avanço no combate a Aids, o surgimento dos medicamentos genéricos e da lei de responsabilidade fiscal.

FHC chega aos 90 anos destacando as amizades com adversários políticos, como o ex-presidente Lula:

“Eu me dou com Lula pessoalmente conheço lá muitos anos ele passou férias na minha casa de praia com a mulher dele a Marisa e os filhos que eram pequenos a muitos anos isso. Não se faz política com fel com amargor na boca. O Lula é líder ele é capaz de falar de modo que arraste algumas pessoas com ele vai pelo caminho que eu desejo? Eu não sei qual é o caminho do Lula ele tem vários caminhos”

Com opiniões que ainda causam impacto no mundo da política, FHC agradece por chegar aos 90 com saúde:

“Você viver até os 90 anos com relativa autonomia é bom. Não basta estar vivo, tem que estar vivo com energia. O importante é que a pessoa tenha gosto pela vida, tenha prazer de estar vivo”.

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