Serralheiro preso por estupros em série escolhia vítimas aleatoriamente e se passava por líderes religiosos para ganhar a confiança delas, diz delegado

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Serralheiro preso por estupros em série escolhia vítimas aleatoriamente e se passava por líderes religiosos para ganhar a confiança delas, diz delegado
27-03-2024
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Delegado Rafael Borges informou que Daniel Mauricio mentia conforme a religião da vítima. Delegada Amanda Menuci disse que o número de vítimas subiu de 8 para 11, após a divulgação do caso.

O serralheiro Daniel Mauricio de Oliveira, preso suspeito de cometer estupro em série na Grande Goiás, se passava por líderes religiosos de diferentes religiões para ganhar a confiança das vítimas. Segundo o delegado Rafael Borges, do 1º Distrito Policial de Trindade, que atuou na investigação, o suspeito escolhia as vítimas aleatoriamente.

“A depender da religião da vítima, ele se ligava e ganhava confiança dizendo que também pertencia àquela religião. A vítima de Santa Bárbara de Goiás é espírita umbandista e ele se intitulou pai de santo. Em alguns casos ele se passava por pastor, inclusive foram apreendidos na residência dele, cartões de identificação de pastor”, explicou o delegado.

Não  conseguimos  localizar a defesa dele para um posicionamento até a última atualização desta reportagem.

A delegada Amanda Menuci, da Delegacia Estadual de Atendimento Especializado à Mulher (Deaem), também à frente das investigações, disse que o número de vítimas do serralheiro subiu de 8 para 11, após a divulgação do caso na imprensa. As novas vítimas tinham 66, 20 e 33 anos na época dos fatos e a abordagem foi idêntica aos outros crimes.

“Em dois desses novos casos, o crime foi tentado, em um deles foi tentativa de sequestro, porque não teve nenhuma insinuação da prática sexual, embora conhecendo o perfil do autor, subentenda-se que sim. Para este caso, o autor tentou obrigar a vítima a entrar no seu veículo, abordando-a num ponto de ônibus, mas o vizinho percebeu o pedido de socorro dessa mulher e conseguiu gritar para que o homem fosse embora”, explicou a delegada.

Com base da denúncia das novas vítimas, o serralheiro deve responder também pelos crimes de tentativa de sequestro e importunação sexual. Segundo a delegada, ele mostrou seus órgãos genitais para a mulher em um ponto de ônibus.

O homem foi preso no sábado (23), no setor Solange Park, em Goiânia. O nome e a imagem do suspeito foram divulgados pela Polícia Civil na tentativa de identificar novas possíveis vítimas.

Como agia?

A Polícia Civil detalhou como o  serralheiro Mauricio de Oliveira  agia para cometer os crimes: com o uso de carros de terceiros e dopando as vítimas para dificultar a defesa delas (veja abaixo detalhes de como o investigado agia).

A investigação em conjunto da Polícia Civil e Polícia Técnico-Científica mostrou que as vítimas, que tinham entre 11 e 66 anos, eram abordadas em ruas, principalmente em pontos ônibus. Em alguns casos, o suspeito utilizava armas ou facas para ameaçar as mulheres e fazer com que elas entrassem nos veículos. Em quase todos os crimes, as vítimas foram deixadas em locais ermos, como rodovias.

Abordagem e crimes

Seis das onze vítimas tiveram os crimes comprovados por DNA. Cinco dos crimes aconteceram em Goiânia e os outros três foram em Trindade, Santa Bárbara de Goiás e Goiânia.

A delegada Amanda Menuci explicou que, para cometer os crimes, o homem utilizava carros de terceiros para abordar as mulheres nas ruas. Na ocasião, ele obrigava que elas entrassem no veículo com o uso de ameaças ou oferecia carona a elas.

“Um dos carros estava no nome da mulher dele. O filho dele consertava carro, pode ser que ele pegasse carros de clientes sem o conhecimento dos clientes. Essa é a linha que a Polícia Civil vai ter que seguir de investigação: tentar identificar todos esses carros”, detalhou a delegada.

Apesar da maior parte das vítimas ter sido obrigada a entrar no carro em que o homem estava, em dois dos casos o homem ofereceu carona para essas mulheres. Segundo a delegada Amanda Menuci, nesses casos, as vítimas entraram de forma voluntária no veículo.

A delegada ainda pontua que Daniel Maurício fingia ser da mesma religião dessas mulheres para ganhar a confiança delas no trajeto dentro do carro.

Ainda segundo a polícia, na maior parte dos casos o homem utilizou alguma substância para dopar as vítimas, fazendo com que elas não ficassem apagadas, mas com que diminuísse a capacidade de defesa.

Em quase todos os crimes, as vítimas foram deixadas em locais ermos, como rodovias. No entanto, a delegada mencionou que um dos crimes, que não teve comprovação por DNA, saiu do “modus operandi” que o suspeito costumava agir. O crime que aconteceu em 2024 ocorreu na casa da vítima.

Apesar da forma de cometer o crime ter sido distinta dos demais casos, a delegada explicou que a mulher conseguiu descrever a aparência do homem e as características do carro que ele usava. Além disso, o celular dela foi encontrado com o filho do suspeito, após Daniel pedir que ele sumisse com o aparelho. O filho do suspeito foi preso por receptação.

Veja a cronologia dos crimes:

  • 1 de janeiro de 2015: vítima de 22 anos, na zona rural de Trindade.
  • 30 de dezembro de 2016: vítima de 11 anos, no Jardim Cerrado, em Goiânia;
  • 20 de fevereiro de 2018: vítima de 34 anos, na GO-060, em Santa Bárbara;
  • 18 de janeiro de 2020: vítima de 56 anos, abordada no Jardim Curitiba, em Goiânia, é deixada na GO-070, em Goianira;
  • 02 de julho de 2022: vítima de 22 anos, em Goiânia;
  • 4 de maio de 2023: Vítima de 56 anos, em Goiânia;
  • 10 de dezembro de 2023: Vítima de 24 anos, em Goiânia;
  • 16 de março de 2024: Vítima de 55 anos, em Goiânia.

A polícia não divulgou a data em que aconteceram os crimes com as três novas vítimas.

Investigação

A investigação de vários dos crimes já ocorria de forma isolada, uma vez que ainda não se sabia da relação entre eles. Foi a Polícia Técnico-Cientifíca quem encontrou a relação entre o material genético do suspeito, que foi encontrado nas vítimas.

Segundo a Polícia Civil, durante a investigação, todas as vítimas descreveram o homem da mesma forma: homem com estatura mediana, branco, sem barba, cabelos grisalhos. A delegada explicou que as vítimas não tinham ligação entre si e nem com o suspeito, e que eram escolhidas a depender da oportunidade de forma aleatória.

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